Nem todo luto acontece depois da morte: sobre as perdas que acompanham nossas escolhas
- João Victor G. Sandoval

- 13 de ago.
- 11 min de leitura
Quando ouvimos a palavra luto, quase imediatamente pensamos na morte.
E isso faz sentido. A morte talvez seja a forma mais evidente e radical de perda: alguém que fazia parte do nosso mundo deixa de poder ser encontrado nele da mesma maneira. Há uma ruptura concreta entre aquilo que existia e aquilo que já não pode continuar existindo.
Mas nem toda perda envolve a morte de alguém.
Há relações que terminam enquanto ambas as pessoas continuam vivas. Há lugares dos quais partimos sabendo que talvez nunca mais pertençamos a eles como antes. Há projetos que foram importantes durante anos e que, em determinado momento, precisam ser abandonados. Há profissões que imaginávamos exercer, famílias que imaginávamos construir, versões de nós mesmos que pareciam fazer parte do nosso futuro e que, pouco a pouco, deixam de ser possíveis.
Algumas dessas experiências podem ser vividas de maneira semelhante a um processo de luto.
Não porque sejam equivalentes à morte de alguém — não são —, mas porque também exigem uma elaboração daquilo que deixou de existir, daquilo que não acontecerá ou daquilo que já não poderá ocupar o mesmo lugar em nossa vida.
Talvez uma das formas menos reconhecidas desse tipo de perda seja justamente aquela que acompanha nossas escolhas.
Porque escolher não significa apenas fazer alguma coisa existir.
Escolher também significa permitir que outras possibilidades deixem de existir.
Toda escolha produz uma ausência
Costumamos falar sobre escolhas a partir daquilo que conquistamos.
Escolhemos uma profissão.
Começamos uma relação.
Mudamos de cidade.
Aceitamos uma oportunidade.
Encerramos um ciclo.
Construímos um projeto.
Mas toda decisão possui também uma face menos evidente.
Quando escolhemos uma possibilidade, outras permanecem para trás.
Algumas poderão ser retomadas posteriormente. Outras não.
Há escolhas cujo efeito é justamente fechar determinados caminhos.
E isso significa que mesmo uma decisão desejada pode carregar alguma tristeza.
Podemos estar felizes em uma nova cidade e sentir falta da vida que deixamos.
Podemos reconhecer que o término de uma relação foi necessário e ainda sofrer pela história que imaginávamos construir naquela relação.
Podemos amar a profissão que escolhemos e, em alguns momentos, pensar na pessoa que talvez tivéssemos nos tornado se tivéssemos seguido outro caminho.
Podemos reconhecer que uma fase terminou no momento certo e, ainda assim, sentir saudade de quem éramos quando ela existia.
Nada disso significa necessariamente que escolhemos errado.
Talvez signifique apenas que conseguimos perceber uma característica inevitável da existência:
nenhuma vida concreta comporta todas as vidas possíveis.
Antes da escolha, existem possibilidades. Depois dela, existe uma vida
Há algo particularmente sedutor nas possibilidades.
Enquanto uma escolha ainda não foi feita, conseguimos imaginar diversos futuros simultaneamente.
Podemos pensar em permanecer e partir.
Continuar e desistir.
Aceitar e recusar.
Seguir uma profissão e imaginar outra.
Construir uma vida aqui e imaginar uma vida em outro lugar.
Enquanto permanecem apenas como possibilidades, nenhuma delas precisa enfrentar completamente as limitações da realidade.
Na imaginação, podemos visitar várias vidas.
Na existência, precisamos habitar uma.
É nesse ponto que a liberdade pode se tornar angustiante.
Søren Kierkegaard percebeu de maneira particularmente profunda a relação entre liberdade, possibilidade e angústia. Para ele, a angústia não aparece apenas diante daquilo que nos ameaça. Ela também pode surgir diante da abertura das possibilidades — diante da percepção de que podemos escolher e de que aquilo que fazemos participa da construção da vida que teremos.
A liberdade não é apenas libertadora.
Ela também pode ser vertiginosa.
Porque escolher significa abandonar a segurança da possibilidade e assumir o risco da realidade.
Antes de uma decisão, podemos perguntar:
“E se?”
Depois dela, começamos a descobrir:
“Foi isso que aconteceu.”
Existe uma perda nesse movimento.
Não necessariamente porque a escolha realizada seja ruim, mas porque as possibilidades abandonadas deixam gradualmente de ser futuros e passam a existir apenas como imaginação.
O luto pelo futuro que imaginávamos
Nem sempre sofremos apenas por aquilo que existiu.
Às vezes sofremos por aquilo que esperávamos que viesse a existir.
Um relacionamento pode terminar não apenas com a perda da pessoa, mas também com a perda das viagens imaginadas, da casa que talvez fosse construída, dos filhos que talvez existissem, da velhice que talvez fosse compartilhada.
Uma mudança profissional pode significar a perda de uma identidade futura que havia sido construída durante anos.
Uma condição de saúde pode exigir a reformulação de projetos antes considerados naturais.
Uma infertilidade pode produzir sofrimento por uma experiência que não chegou a acontecer.
Uma oportunidade perdida pode carregar consigo uma versão inteira do futuro.
Nessas situações, o objeto da perda pode parecer estranho porque parte dele nunca existiu concretamente.
Mas o fato de não ter acontecido não significa que não tivesse presença psicológica.
Também habitamos futuros imaginados.
Criamos expectativas.
Organizamos escolhas em torno delas.
Construímos identidade a partir de projetos.
Respondemos à pergunta “quem sou?” parcialmente através da pergunta “quem estou tentando me tornar?”.
Quando determinado futuro deixa de ser possível, não perdemos apenas acontecimentos.
Podemos perder também uma maneira de compreender quem éramos.
Há versões de nós mesmos que também precisam ser deixadas para trás
Em diferentes momentos da vida, construímos imagens sobre nós mesmos.
A pessoa que seremos aos trinta.
A profissão que exerceremos.
A maneira como estaremos vivendo.
O tipo de relação que teremos.
As conquistas que imaginamos alcançar.
Nem todas essas imagens resistem ao encontro com o tempo.
Algumas desaparecem porque o mundo impõe limites.
Outras porque nós próprios mudamos.
E existe algo profundamente desconcertante em perceber que já não queremos aquilo que durante muito tempo utilizamos para definir quem éramos.
Talvez alguém tenha passado anos dizendo:
“Eu serei médico.”
“Vou construir uma família dessa maneira.”
“Vou permanecer nesta cidade.”
“Essa relação será para sempre.”
“Quando chegar a determinada idade, minha vida estará assim.”
Até que, em determinado momento, alguma dessas afirmações deixa de se sustentar.
A pergunta então deixa de ser apenas:
“O que vou fazer agora?”
E passa a ser:
“Quem sou eu se já não serei aquela pessoa que imaginei?”
Esse tipo de transição pode exigir uma reorganização profunda da identidade.
Porque algumas escolhas não alteram apenas aquilo que fazemos.
Alteram a narrativa através da qual compreendemos nossa própria existência.
Às vezes, continuar também é uma escolha
Existe ainda uma dificuldade adicional.
Frequentemente imaginamos que escolher significa necessariamente mudar.
Sair do emprego.
Encerrar a relação.
Mudar de cidade.
Começar algo novo.
Mas permanecer também é uma escolha.
Não escolher conscientemente não nos coloca fora da existência.
O tempo continua passando.
As possibilidades continuam se modificando.
E aquilo que deixamos de decidir também participa da vida que construímos.
Esse talvez seja um dos aspectos mais desconfortáveis da liberdade.
Não podemos evitar completamente a responsabilidade de escolher simplesmente permanecendo imóveis.
Às vezes, adiamos uma decisão porque ainda não conseguimos nos despedir das alternativas.
Queremos ter certeza absoluta de qual caminho é melhor.
Esperamos algum tipo de sinal capaz de eliminar a possibilidade de arrependimento.
Tentamos encontrar a escolha que não exija perda.
Mas talvez essa escolha não exista.
Em muitos momentos, a dificuldade de decidir não nasce da ausência de uma possibilidade desejável.
Nasce da recusa em perder as outras.
Queremos escolher sem renunciar
Existe uma fantasia silenciosa presente em muitas decisões importantes:
queremos escolher e continuar mantendo todas as possibilidades disponíveis.
Queremos o vínculo sem abrir mão da independência que existia antes dele.
Queremos a nova carreira sem perder tudo aquilo que construímos na anterior.
Queremos mudar de cidade sem perder a vida que tínhamos na cidade antiga.
Queremos avançar para uma nova etapa sem deixar completamente a anterior.
Queremos crescer sem perder aquilo que existia antes do crescimento.
Em alguma medida, isso é compreensível.
Mas a vida raramente nos oferece possibilidades sem custo.
Não porque precise ser cruel, mas porque existe dentro do tempo.
E viver no tempo significa que alguma coisa sempre está ficando para trás.
A infância termina.
Algumas amizades se transformam.
Corpos mudam.
Famílias se reorganizam.
Oportunidades aparecem e desaparecem.
Certas possibilidades que eram amplas aos vinte anos assumem outra forma aos quarenta.
O tempo não apenas acrescenta experiências.
Ele também fecha caminhos.
Talvez parte do amadurecimento esteja justamente em reconhecer que uma existência significativa não é aquela em que conseguimos preservar todas as possibilidades.
É aquela em que conseguimos nos comprometer com algumas delas sabendo que não poderemos viver todas.
Sentir a perda não invalida a escolha
Esse ponto merece ser enfatizado.
Existe uma tendência de interpretar qualquer tristeza posterior a uma escolha como sinal de arrependimento.
“Se sinto falta, talvez não devesse ter ido.”
“Se ainda penso naquela pessoa, talvez não devesse ter terminado.”
“Se sinto saudade da minha antiga profissão, talvez tenha errado ao mudar.”
Mas sentimentos contraditórios podem coexistir.
Podemos sentir alívio e tristeza.
Certeza e saudade.
Esperança e medo.
Entusiasmo e luto.
A vida emocional não precisa obedecer a uma lógica na qual uma experiência anula a outra.
Posso saber que precisava partir e lamentar aquilo que deixei.
Posso saber que uma relação precisava terminar e continuar reconhecendo aquilo que ela significou.
Posso estar satisfeito com minha vida atual e ainda sentir carinho pela pessoa que poderia ter me tornado em outro caminho.
Reconhecer uma perda não significa desejar desfazer a escolha.
Às vezes significa apenas permitir que aquilo que terminou tenha sido importante.
Há uma diferença entre luto e arrependimento
Essas experiências podem se aproximar, mas não são a mesma coisa.
No arrependimento, existe frequentemente uma avaliação da decisão:
“Eu deveria ter escolhido diferente.”
No luto por uma possibilidade, a experiência pode ser outra:
“Eu reconheço aquilo que perdi ao escolher isto.”
Podemos lamentar uma possibilidade sem acreditar que ela seria melhor.
Essa distinção é importante porque nos permite sair de uma lógica excessivamente binária.
Nem toda saudade exige retorno.
Nem toda tristeza exige correção.
Nem toda perda significa erro.
Às vezes, a perda é simplesmente parte do custo de uma escolha que ainda consideramos nossa.
O perigo de transformar possibilidades perdidas em vidas perfeitas
Depois que um caminho deixa de ser vivido, algo curioso acontece.
Ele deixa de precisar enfrentar a realidade.
A profissão que não escolhemos nunca teve dias ruins.
A cidade para a qual não nos mudamos nunca teve solidão.
A relação que terminou pode permanecer em nossa imaginação sem precisar enfrentar os conflitos que teria daqui a cinco anos.
A decisão que não tomamos permanece protegida de todas as consequências imprevisíveis que teria produzido.
E então começamos a comparar:
a vida real, cheia de contradições, com uma vida imaginada que nunca precisou enfrentar nenhuma delas.
A comparação dificilmente será justa.
Isso não significa que nunca tenhamos tomado decisões ruins.
Tomamos.
Algumas escolhas merecem arrependimento.
Algumas precisam ser revistas.
Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e idealizar permanentemente aquilo que não aconteceu.
O caminho não escolhido pode parecer perfeito justamente porque nunca precisou ser vivido.
Elaborar uma perda não significa apagar aquilo que foi perdido
Talvez uma compreensão simplificada do luto imagine que sua finalidade seja “superar” e seguir adiante como se aquilo já não importasse.
Mas elaborar uma perda pode significar algo diferente.
Pode significar encontrar um lugar para aquilo dentro da própria história.
Uma relação terminou.
Ela pode continuar sendo importante.
Uma profissão foi abandonada.
Ela pode continuar participando da pessoa que nos tornamos.
Uma cidade ficou para trás.
Ela pode continuar sendo parte de nossa identidade.
Uma versão de nós mesmos não aconteceu.
Ela pode continuar nos dizendo algo sobre aquilo que um dia desejamos.
Elaboração não precisa significar apagamento.
Pode significar integração.
Aquilo que já não existe pode continuar fazendo parte de quem somos sem precisar continuar determinando para onde vamos.
A psicoterapia diante das possibilidades perdidas
Há momentos em que esse processo acontece espontaneamente.
Em outros, determinadas perdas permanecem abertas.
Voltamos repetidamente à mesma decisão.
Mantemos relações internas com futuros que já não existem.
Continuamos organizando a vida atual em torno de uma pergunta impossível:
“Quem eu seria se tivesse escolhido diferente?”
A psicoterapia pode oferecer um espaço para examinar essas experiências.
Não para determinar qual teria sido a “escolha correta”.
Também não para convencer alguém a aceitar rapidamente aquilo que aconteceu.
Mas para compreender o significado daquilo que foi perdido.
O que aquela possibilidade representava?
Por que abandoná-la foi tão difícil?
Que parte da identidade estava ligada a ela?
O que ainda permanece vivo naquele desejo?
Existe algo daquela possibilidade que pode assumir outra forma?
Ou aquilo que precisa acontecer é justamente uma despedida?
Nem sempre compreender significa encontrar uma explicação definitiva.
Às vezes significa conseguir sustentar uma perda sem precisar negá-la ou reorganizar toda a vida em torno dela.
Talvez a escolha mais difícil seja escolher novamente
Há perdas que não apenas encerram possibilidades antigas.
Elas nos devolvem novamente à liberdade.
Quando um projeto termina, alguma coisa precisa ocupar o espaço que ficou.
Quando uma identidade deixa de fazer sentido, outra começa lentamente a ser construída.
Quando uma relação termina, não perdemos apenas aquilo que existia com o outro. Recuperamos também uma série de possibilidades que antes estavam organizadas em torno daquele vínculo.
Isso pode ser libertador.
Mas também pode ser angustiante.
Porque precisamos voltar a perguntar:
“E agora?”
Talvez seja por isso que algumas pessoas permaneçam tanto tempo ligadas a possibilidades já encerradas.
Não apenas porque seja difícil perder o passado.
Mas porque abandoná-lo significa aceitar novamente a responsabilidade pelo futuro.
Amadurecer talvez não seja sentir menos perdas
Existe uma imagem possível do amadurecimento segundo a qual, com o tempo, deveríamos aprender a nos desapegar facilmente.
Como se pessoas maduras escolhessem sem hesitar, encerrassem ciclos sem sofrimento e aceitassem perdas sem olhar para trás.
Talvez seja justamente o contrário.
Talvez amadurecer signifique compreender com maior clareza o valor daquilo que está sendo deixado para trás — e ainda assim conseguir seguir adiante quando a vida exige uma escolha.
Uma pessoa pode dizer:
“Isso foi importante para mim.”
“Eu gostaria que tivesse sido diferente.”
“Uma parte de mim ainda sente falta.”
“Eu sei o que perdi.”
E, ao mesmo tempo:
“Ainda assim, escolho continuar.”
Existe alguma maturidade nessa capacidade de não precisar desvalorizar o passado para legitimar o presente.
Não precisamos transformar aquilo que deixamos em algo ruim para justificar nossa partida.
Não precisamos provar que o caminho abandonado seria terrível para permanecer no escolhido.
Não precisamos apagar aquilo que fomos para reconhecer aquilo que estamos nos tornando.
Uma vida só se torna nossa quando aceitamos não viver todas as outras
Talvez esse seja um dos paradoxos mais profundos da liberdade.
Queremos possibilidades.
Elas nos permitem imaginar, desejar, projetar e transformar nossa vida.
Mas uma existência composta apenas por possibilidades nunca chega a se tornar uma existência concreta.
Em algum momento, precisamos escolher.
E escolher significa permitir que a vida adquira forma.
A forma de uma vida é construída tanto por aquilo que realizamos quanto por aquilo que deixamos de realizar.
Somos feitos de caminhos percorridos.
Mas também de portas que fechamos.
De relações que terminaram.
De projetos que abandonamos.
De versões de nós mesmos que não chegaram a existir.
Talvez elas nunca desapareçam completamente.
Algumas retornam como lembrança.
Outras como curiosidade.
Algumas como arrependimento.
Outras como ternura.
E algumas apenas como a consciência silenciosa de que nossa história poderia ter sido diferente.
Mas talvez uma vida não precise ser a melhor entre todas as vidas imagináveis para poder ser nossa.
Ela precisa, antes, tornar-se uma vida com a qual conseguimos nos comprometer.
O que precisamos deixar morrer para continuar vivendo?
Essa pergunta pode soar dura.
Mas talvez algumas transformações exijam justamente reconhecer que determinados futuros já terminaram.
Não porque fracassamos necessariamente.
Mas porque mudamos.
Porque o mundo mudou.
Porque escolhemos.
Porque algumas possibilidades possuem um tempo.
E porque continuar mantendo todas elas artificialmente abertas pode nos impedir de habitar aquela que existe diante de nós.
Há despedidas que acontecem em funerais.
Outras não possuem cerimônia.
Ninguém percebe quando deixamos para trás uma identidade.
Não existem rituais para uma profissão abandonada.
Não há necessariamente testemunhas para o futuro que deixou de ser possível.
Não recebemos condolências pela pessoa que imaginávamos nos tornar.
E talvez justamente por isso algumas dessas perdas sejam tão difíceis de reconhecer.
Elas existem quase silenciosamente.
Mas existem.
Talvez seja necessário aprender a nomeá-las.
Não para permanecer olhando para trás.
Mas para conseguir olhar para frente sem precisar fingir que nada ficou pelo caminho.
Porque escolher uma vida também significa renunciar a outras.
E talvez amadurecer não seja aprender a escolher sem sentir nenhuma perda.
Talvez seja conseguir dizer:
“Eu reconheço aquilo que estou deixando para trás — e ainda assim escolho aquilo que quero continuar construindo.”
Para pensar
Existe alguma decisão que você tem adiado não porque desconheça aquilo que deseja, mas porque ainda não conseguiu se despedir das outras possibilidades?
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